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Ricardo Parreira, CEO da PHC (Foto: Divulgação)

Sete tendências pelas quais 2020 deverá ficar na memória

Por: Ricardo Parreira, CEO da PHC

O ano 2020 poderá ser um ano incrível para o desenvolvimento da gestão das PME portuguesas. Previsões macroeconómicas à parte, neste artigo abordo sete tendências que não podem ser ignoradas pelos empresários portugueses e que bem aproveitadas podem ser fatores diferenciadores para a competitividade dos negócios.

Como sabemos, o caminho digital, marcado por um aumento exponencial do poder do cliente, tem sido imperativo para o sucesso do tecido empresarial português. Não há empresa em Portugal que não esteja sob a pressão de acompanhar esta mudança. Os processos têm de ser cada vez mais automatizados, as ferramentas de colaboração cada vez mais acessíveis, a informação disponível em qualquer hora e em qualquer lugar, e o sistema nervoso digital cada vez mais importante para a competitividade do negócio.

Sem tecnologia não há gestão, mas sem acompanhar a evolução também não há sustentabilidade. E, nesse sentido, acredito que este ano teremos estas sete tendência a marcar o panorama da gestão em Portugal:

  1. O crescimento da economia da experiência

A expressão não é nova e remonta, pelo menos, até 1998, quando surgiu no título de um artigo da Harvard Business Review, mas começou a ganhar uma dimensão incontornável nos últimos anos. Vivemos numa verdadeira economia da experiência, onde o propósito e o envolvimento são fundamentais para o sucesso de todo o tipo de oferta, produto ou negócio.

A identificação e o envolvimento tornam-se cada vez mais importantes à medida que a técnica vai sendo apurada e temos cada vez mais negócios a oferecer produtos semelhantes e que satisfazem as mesmas necessidades funcionais. O que diferencia os negócios é cada vez mais a experiência que as empresas são capazes de proporcionar, através de uma gestão mais eficiente, personalizada e inspiradora. Neste sentido, a experiência na relação com a empresa, seja numa loja, num local de trabalho ou no suporte ao cliente marcará cada vez mais o sucesso dos negócios.

2. A maturidade da inteligência coletiva

A inteligência coletiva está a tomar conta da sociedade e longe estão os dias em que um especialista detinha toda a informação relevante para o sucesso de um projeto ou de uma tomada de decisão. O exemplo das chamadas user reviews, hoje cada vez mais relevantes para a escolha de um restaurante, um filme ou um produto, é representativo da tendência da inteligência coletiva nas nossas vidas. Mas também dentro das empresas tem tendência a crescer, com o uso de ferramentas de gestão de equipas, colaboração e gestão de projetos que permitem integrar diferentes perspetivas e decidir mais rapidamente.

À medida que as metodologias ágeis vão entrando nas empresas, estas estão a integrar a colaboração nos seus processos de gestão e a utilizar software que lhes permite aproveitar esta tendência da melhor maneira e de forma integrada com o negócio.

3. As empresas data-driven

Começou como uma buzzword, mas hoje a big data é uma realidade nas empresas. O software de gestão tornou-se num sistema nervoso digital que permite cruzar e analisar dados, tendências e resultados importantes para o sucesso dos negócios. Empresas eficientes aproveitarão cada vez mais este potencial, incorporando, não só os já habituais dashboards com indicadores-chave, mas também análises preditivas, que muitas vezes usam algoritmos de inteligência artificial, para analisar questões tão distintas como um forecast de vendas até ao risco de saída dos colaboradores de uma empresa.

4. A naturalidade do trabalho remoto

Talvez não seja (ainda) possível para todas as funções, mas parece ser uma tendência que ganha algum consenso: o trabalho remoto é positivo, desde que na medida e com as regras adequadas. Este será o ano em que esta forma de trabalho dará um passo definitivo na vida das empresas portuguesas, tendo o software como base de trabalho que permite uma gestão rigorosa e um aumento de produtividade no trabalho à distância.

O número de empresas que o irão implementar será crescente e terá um efeito muito positivo na motivação e felicidade no trabalho. O trabalho remoto permite um estilo de vida mais flexível, sem horários rígidos e horas perdidas em deslocação. Mas as empresas não ficam a perder. Oferecer a possibilidade de trabalhar remotamente confere às empresas a oportunidade de recrutar talentos em qualquer geografia e poupar o custo e o espaço associado ao posto de trabalho físico.

5. Os novos modelos de negócio

Escrevi no início do ano passado que os serviços de subscrição seriam uma tendência para 2019. Para além da tão falada Netflix ou do Spotify, durante o ano passado vimos setores tradicionais transformarem-se e darem origem a negócios locais como a venda de escovas de dentes ecológicas ou legumes frescos através de um serviço de subscrição. Esta é uma tendência que deverá continuar e que é totalmente alicerçada em software e que continuará a sua trajetória de crescimento, com negócios cada vez mais integrados na economia digital e na já mencionada economia da experiência. Este ano deveremos continuar a ver o crescimento desta tendência e de novos negócios de subscrição.

6. A segurança de dados

O tão falado RGPD lançou o tema da proteção de dados, mas foi com o caso da Cambridge Analytica que o mundo ocidental parece ter acordado para a privacidade e segurança dos dados no mundo pós-advento da Internet. O crescente número de notícias, pós-graduações e eventos sobre este tema parece confirmar que estamos a dar uma importância maior à privacidade e não tenho dúvida de que o continuaremos a discutir com maior preocupação ética e também maior implementação prática. A sociedade assim o exige. E as organizações também deverão desempenhar o seu papel.

7. A maior preocupação com o talento

O talento necessita de atenção e não é apenas o cliente que exige a melhor experiência possível. É neste sentido que este será o ano do best experience at work, um conceito para o qual tenho dedicado a minha atenção e que acredito que será cada vez mais vital para o crescimento e sucesso das empresas. Normalmente, fala-se do melhor local para trabalhar, mas a experiência é mais do que um simples local. É a soma do local, das condições de trabalho e da cultura de uma empresa. Este será o ano em que veremos o crescimento desta tendência para empresas mais produtivas e felizes.

Esta lista está longe de ser exaustiva, mas não tenho dúvidas de que estas sete tendências marcarão o ano que recentemente se iniciou nas PME portuguesas. São tendências de gestão que tendem a ganhar força e crescem alicerçadas em tecnologia que as permitem colocar em prática. Empresas que olharem para elas com atenção tirarão o devido partido e ganharão importantes vantagens competitivas.