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Carlos Torres, presidente do Conselho de Administração da Resul SA (Fonte Divulgação)

“Temos conseguido desenvolver projetos com poupanças médias anuais entre os 40% e 60%” – Carlos Torres

Por: Ana Vieira


A empresa portuguesa Resul, do setor da energia, opera em mais de 50 países, em quatro continentes, com uma parte significativa da operação localizada em regiões em vias de desenvolvimento, exportando mais de 50% do total das vendas.

Em entrevista à PME Magazine, Carlos Torres, presidente do Conselho de Administração da Resul SA, explica que a empresa posiciona-se no mercado com soluções chave na mão, tratando do “processo desde o licenciamento até à exploração, incluindo o projeto, a instalação, a manutenção/gestão do ativo, e até o próprio financiamento caso necessário”. 

Os projetos desenvolvidos pela Resul podem traduzir-se em “poupanças médias anuais entre os 40% e 60%, ou inclusivamente mais com a crescente introdução de sistema de armazenamento de energia através de baterias”.

 

PME Magazine (PME Mag.) – Como surgiu a Resul?
Carlos Torres (C. T.) – A Resul foi fundada em 1982, em Lisboa, e surgiu com o objetivo de desenvolver, produzir e implementar soluções para redes de distribuição de energia. A empresa expandiu a sua operação para incluir centrais fotovoltaicas de autoconsumo e sistemas de pré-pagamento de energia elétrica. Procuramos novos mercados internacionais desde o início, com destaque para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e outros países africanos. Atualmente, a Resul exporta para mais de 50 países, em quatro continentes. No mercado interno, focamo-nos sobretudo no fornecimento de equipamentos para substituição e manutenção da rede de distribuição elétrica, e trabalhamos de forma muito próxima com a distribuidora nacional de energia.

Em 2023, fruto do nosso crescimento sustentável, a exportação representou mais da metade da receita total da empresa, que ascendeu aos €12,746 milhões, enquanto no mercado interno, tanto a unidade de negócios de fornecimento de mercadorias quanto a de centrais fotovoltaicas contribuíram igualmente, representando cada uma 50% da faturação. Para este ano, prevemos resultados ainda mais positivos, com um crescimento superior a 40%, com um aumento de vendas superior a 12%.


PME Mag. – Quais as etapas, tanto no projeto como em obra, seguidas pela Resul para a instalação de um sistema de autoconsumo solar fotovoltaico? 
C. T. – Posicionamo-nos no mercado de soluções conceção/construção chave na mão, e tratamos de todo o processo desde o licenciamento até à exploração, incluindo o projeto, a instalação, a manutenção/gestão do ativo, e até o próprio financiamento caso necessário.

Numa primeira fase é feita uma avaliação das necessidades e do perfil de consumo da instalação/cliente, seguido pelo levantamento das características do local e das condições de instalação. Em função desta avaliação, é projetado um sistema fotovoltaico específico para a instalação consoante o local. Os resultados da simulação da produção deste sistema são então estritamente comparados com a curva de consumo e calculada a poupança esperada em função de cada período tarifário.

Após a definição do sistema fotovoltaico a implementar, segue-se a fase de construção. Durante a fase de aprovisionamento e aquisição dos materiais e equipamentos é efetuado o projeto de detalhe, para termos a certeza de que a obra corre da melhor forma. Cada projeto é um projeto, mas, tipicamente, durante a instalação, todas a principais tarefas seguem um planeamento mais ou menos standard que se inicia pela preparação do local e criação das medidas de segurança; seguido da montagem da estrutura e dos módulos, passagem dos cabos, montagem dos inversores, montagem do quadro AC, interligação com o quadro do cliente e, finalmente, comissionamento ou entrada em funcionamento, sempre em cumprimento com todas as normas e regras em termos de higiene e segurança no trabalho.

Em paralelo, todo o processo é tratado do ponto de vista do licenciamento, nas diversas entidades competentes. Todas as opções são previamente discutidas com o próprio cliente com o compromisso de obtermos não só o melhor resultado possível em termos de poupança, mas também do ponto vista elétrico e de articulação com as restantes atividades da instalação.


PME Mag. – Que poupança poderá ser atingida por uma empresa com a instalação de um sistema de autoconsumo solar fotovoltaico?
C. T. – Existem vários aspetos na definição da dimensão do sistema fotovoltaico para autoconsumo e no consumo de cada cliente que condicionam os resultados em termos de poupança de cada projeto. Com base nas nossas estimativas, temos conseguido desenvolver projetos com poupanças médias anuais entre os 40% e 60%, ou inclusivamente mais com a crescente introdução de sistema de armazenamento de energia através de baterias.


PME Mag. – A partir de que área ou consumo, compensa a opção por uma solução fotovoltaica?
C. T. – Duas das grandes vantagens da tecnologia fotovoltaica são a sua escalabilidade e adaptabilidade às mais variadas situações. Desde o setor residencial até ao comercial e industrial, independentemente do nível de consumo ou tamanho da instalação, é possível desenvolver várias soluções com ótimos resultados em termos de poupança. Um sistema de grande dimensão terá um custo específico de instalação (€/kWp) menor que um sistema residencial, mas à partida também terá um custo de energia específico (€/kWh) mais baixo, o que na prática resulta em prazos semelhantes em termos de amortização do investimento.

 

PME Mag. – A Resul tem uma forte presença no continente africano. Quais as soluções mais procuradas neste continente?
C. T. – A Resul trabalha há mais de 40 anos no continente africano, e consideramos muito importante o investimento em países onde as percentagens de cobertura elétrica nacional estão longe dos 100%. Isto implica a necessidade de novas redes de produção, transporte e distribuição de energia, seja ela convencional ou renovável. Outra das soluções mais procuradas neste continente tem a ver com sistemas de pré-pagamento de energia elétrica, bastante cómodos quer para a distribuidora, que assegura assim a receita antecipada, e ainda para os consumidores, que podem deste modo gerir os seus consumos de acordo com a sua disponibilidade financeira em cada mês.

Ainda na lógica de adaptação aos mercados africanos, desenhámos há alguns anos uma solução integrada que combina um contador elétrico com proteção, tomadas elétricas e lâmpadas. Este dispositivo – Ready Board -, utilizado em áreas onde as habitações não possuem paredes adequadas para a instalação de tomadas elétricas, facilita a eletrificação segura e acessível, proporcionando aos moradores acesso à energia elétrica de forma eficiente.


PME Mag. – Como tem sido a experiência internacional da Resul?

C. T. – A experiência internacional da Resul tem sido altamente positiva e, sobretudo, expansiva. A empresa tem-se voltado para mercados fora de Portugal desde o seu início, com ênfase nos PALOP e outros países africanos. Com escritórios em quatro países e exportações para mais de 50 países em quatro continentes (Europa, África, Ásia e América), mais de metade dos lucros anuais da Resul provêm das exportações. Esse esforço internacional permitiu à Resul desenvolver uma base sólida de clientes globais e uma presença significativa no mercado internacional, ancorada numa extensa experiência de mais de quatro décadas.


PME Mag. – Da sua experiência, há oportunidades neste mercado para as PME portuguesas nesta área?
C. T. – Sim, acreditamos que há oportunidades significativas para as PME portuguesas no mercado internacional. A experiência extensa da Resul mostra justamente que as PME têm vantagens cruciais neste contexto, como maior flexibilidade, capacidade de decisão rápida e criatividade na resolução de problemas. Estas características permitem que as PME se adaptem melhor às condições muitas vezes instáveis e complexas dos mercados africanos, por exemplo, onde a personalização dos contactos e a construção de relações de confiança são essenciais. As PME, e no caso em específico da Resul, conseguem assim explorar oportunidades de negócios que grandes empresas podem não conseguir aproveitar.