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Sérgio Ribeiro, CEO e cofundador da Planetiers (Foto: Planetiers)

O que fariam se vos tivessem avisado da pandemia?

Por: Sérgio Ribeiro, CEO e cofundador da Planetiers

O que fariam de diferente se vos tivessem avisado, com algum tempo de antecedência, da pandemia? É uma questão complexa, até porque, muito provavelmente, haveria várias reações. Mas aposto que, em princípio, cerca de 80% de vocês iriam ignorar o aviso e continuar a vossa vida como se nada fosse.

“É um cenário demasiado catastrófico para ser possível de acontecer” – diriam. Outros 15% até consideravam que pudesse vir a acontecer, mas estaria tão inundado de outros assuntos para resolver que, em princípio, só tomaria uma atitude preventiva tarde demais.

Cerca de 4% consideraria prioritária a preparação para uma possível pandemia, mas iria ter dificuldade na implementação das mudanças profiláticas necessárias para receber, em segurança, um mundo completamente novo. E apenas 1% da população seria capaz de manter o foco necessário para essa mesma implementação e transformação nas suas vidas e nas suas empresas, preparando-se para prosperar mesmo quando a pandemia e a crise se instalassem em todo o mundo. Estariam a lucrar, enquanto outras acumulavam prejuízos históricos. Estariam a contratar, enquanto outras avançavam em longos e penosos processos de despedimento coletivo. Continuariam a crescer, enquanto outras se preparavam para fechar portas e declarar falência.

O que separa e difere estes exemplos é a forma como interpretam a informação, tantas vezes colocada à sua disposição previamente, facto que comprova, uma vez mais, que a comunicação é uma das chaves mestras da era moderna. No entanto, ter a informação não serve, por si só, de nada. É a sua boa interpretação e utilização que possibilita a verdadeira vantagem competitiva e garante prosperidade.

Os recursos essenciais à vida estão a esgotar-se e estamos a destruir ecossistemas com o impacto da nossa atividade – avisam os especialistas, noticiam os jornais, gritam os ativistas, publicam os cientistas.

E o problema mantém-se. Os avisos acumulam-se, os dados científicos disparam, os especialistas alertam, as notícias chocam e a população continua a interpretar toda esta informação de forma frágil e passiva. E tu, o que escolhes fazer? Em que percentagem da população te inseres?

A Planetiers começou com um marketplace que promove e facilita a aquisição de produtos e soluções sustentáveis. Mais tarde, ao aperceber-se de que havia um imenso mercado de novos produtos e startups emergentes focadas nesta área, decidiu criar o maior encontro mundial de inovação sustentável – o Planetiers World Gathering, com o objetivo de colocar essas soluções transformadoras em contacto com investidores, media ou potenciais parceiros estratégicos.

E, apesar de ter tido de se adaptar à realidade pandémica e, por isso, ter de adotar um formato ‘híbrido’ – com oradores no local em palcos e estúdios e com presenças limitadas de parceiros mas aumentando a oportunidade dos participantes de assistirem às palestras, criarem a sua rede de network e verem toda a área expositiva num ambiente 3D virtual, com custos menos pesados para si – o impacto deste encontro mundial já provocou bons “estragos”.

Ao longo dos últimos meses, tão desafiantes e tremidos para o mundo, vários foram os parceiros nacionais e internacionais que se uniram num novo projeto, o Planetiers New Generation, que será lançado em breve e que irá permitir um verdadeiro “scan” das organizações, públicas ou privadas, que em conjunto com a sua rede de parceiros e através de ferramentas práticas, implementarão uma transformação disruptiva e eficaz em toda a sua cadeia de valor, com base no chamado “pensamento sistémico” onde todas as variáveis são consideradas na sua atividade, desde a sua pegada ecológica à interação com a comunidade. Este programa quer evidenciar as oportunidades de disrupção do mercado, seja através de inovações tecnológicas, modelos de negócio diferenciadores ou através da simples adaptação natural da empresa ao seu meio envolvente.

Os que agora mudarem o seu modelo de negócio, mudarem o seu modelo de trabalho, mudarem as suas cadeias de valor e todas a partes do seu negócio para viverem em sintonia com a natureza, atentos à qualidade de vida das comunidades envolventes, serão as organizações mais resilientes e capazes de perdurar a médio e longo prazo.

Por tudo isto, reforço a minha questão: se alguém vos tivesse avisado da crise climática, da escassez de recursos naturais, antes de esta acontecer, o que fariam?