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(Foto: EAD)

Agora e sempre exige-se ser resiliente

Por: Paulo Veiga, CEO EAD – Empresa de Arquivo de Documentação

Quem me conhece, sabe bem que sou otimista, procuro ver em cada dificuldade uma oportunidade, ou duas ou três. Portanto, não poderei fazer de advogado do diabo, mas, sem querer ser fatalista, é incontornável que estamos a entrar numa das fases mais difíceis da nossa já muito débil economia e da nossa organização enquanto sociedade.

Dou por mim a pensar não num tsunami, mas três, que irão abater-se sobre nós.

O primeiro, sobre empresas e famílias, na sequência do final do lay-off simplificado e da impossibilidade de muitas empresas conseguirem manter os postos de trabalho dos seus colaboradores;

Em segundo lugar, quando terminarem as moratórias fiscais e as empresas tiverem de pagar os encargos do período em causa acrescidos dos que foram acumulando;

Em terceiro lugar, quando tiver lugar o ressarcimento dos financiamentos obtidos ao abrigo das diferentes linhas Covid-19, entre outras, após a superação dos respetivos períodos de carência. 

O risco de default bancário é real, os bancos sabem e estão já a realizar provisões como vimos nas contas do segundo trimestre. Parece-me que efetivamente o pior está para vir.

Corremos assim o risco de sermos confrontados não só com o aumento inquietante dos níveis de desemprego, mas igualmente com a destruição de empresas que inevitavelmente desaparecerão, muitas delas exportadoras, e com elas todo o seu know-how, valor acrescentado e posicionamento nos difíceis mercados onde operam e que tanto custaram a conquistar.

Exige-se que o Estado, com o dinheiro dos nossos impostos ou melhor dos contribuintes e o que está a chegar da União Europeia nos próximos anos, faça tudo para proteger as empresas. São milhares as que terão de ser apoiadas, não apenas as mediáticas como a TAP ou Efacec. É uma questão de sobrevivência global. 

Desculpem-me, mas não acredito em visões estratégicas, como a do Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030.

Claro que se poderá fazer-se mais e melhor, não coloco a bondade do estudo em causa, mas as pessoas, agora, têm de vir primeiro.

Nas famílias as contas vencem-se todos os meses, temos de manter a trabalhar as que o (emprego) têm e criar emprego para as restantes.

Como sabemos os maiores agentes empregadores são as empresas, portanto, deixem as empresa fazer o que fazem melhor: inovar, investir e produzir.

Há quem defenda o apoio estatal às empresas com recurso a soluções de “public equity”, através da entrada de capitais públicos, com ressarcimento posterior e eventual retorno do investimento.

Só consigo aceitar uma solução destas se o controlo e a gestão das empresas continue nas mãos dos privados. São eles que têm o know-how, a expertise e o empreendedorismo que os caracteriza.

Esta é uma das formas de recuperar a robustez das nossas empresas, não é a que eu aprecio particularmente, mas se preservar o “know-how”, a sua sustentabilidade e os empregos, pois que se estude e implemente.