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Miguel Alava, diretor AWS para o sul da Europa (Foto: Divulgação)

AWS quer ajudar empresas portuguesas a inovar

Desde 2018 que a Amazon, através da Amazon Web Services (AWS), está em Portugal com escritórios, tendo agora anunciado que vai abrir, em breve um Ponto de Presença do serviço Amazon CloudFront em Lisboa que vai ligar a capital portuguesa à rede de computação internacional da AWS. De passagem por Lisboa para o evento AWS Initiate, que decorreu na Nova SBE, em Carcavelos, Miguel Alava, diretor da AWS para o sul da Europa, falou sobre as ambições da empresa no mercado português.

PME Magazine – A AWS já formou mais de mil portugueses em capacidades em nuvem. Como tem sido a procura nesta área?

Miguel Alava – À medida que a nuvem entra no quotidiano da sociedade, as empresas portuguesas percebem que o incremento nos seus conhecimentos e competências na nuvem vai permitir acelerar as suas capacidades de inovação. Para atender a essa procura, a AWS está a investir no futuro da comunidade tecnológica em Portugal, formando profissionais tecnológicos para expandir as suas competências e conhecimento da nuvem gratuitamente através de webinars e “AWSome Days”, evento de formação de um dia ministrado por instrutores educacionais da AWS, ideais para líderes técnicos, profissionais de TI e developers que desejem aprender mais sobre trabalhar com a AWS. Com mais de mil portugueses formados até agora em capacidades da nuvem, a AWS está animada em continuar a investir nesse sentido. Para estudantes, temos também o programa AWS Educate disponível para universidades. Este programa fornece aos seus membros o acesso gratuito a conteúdos de aprendizagem e serviços da AWS projetados para desenvolver conhecimentos e competências em computação na nuvem. O AWS Educate oferece aos jovens estudantes acesso a conteúdo individualizado, projetado para introduzir tecnologias de computação na nuvem que impulsionam a inovação em áreas como IA, reconhecimento facial e voz, jogos, avanços médicos e muito mais. Universidades portuguesas, escolas de negócios e fundações de todo o país, como a Fundação Champalimaud em Lisboa e a Universidade do Algarve, fazem já parte deste programa com muitas outras em várias cidades portuguesas: Leira, Viseu, etc.

PME Mag. – Na prática, em que se traduz o investimento feito em Portugal?

M. A. – A AWS tem já um historial com Portugal. Embora tenhamos abertos os escritórios em Lisboa em setembro de 2018, os clientes em Portugal foram dos primeiros a aproveitar os serviços da AWS para acelerar a inovação. O nosso compromisso com Portugal continua, pois, em setembro de 2019, anunciámos a decisão de investir no país, disponibilizando o primeiro ponto de presença Amazon CloudFront Edge no país. Localizado em Lisboa, o novo ponto de presença do Edge disponibiliza o conjunto completo de serviços fornecidos pelo Amazon CloudFront, incluindo integração com serviços de computação, redes e segurança, como AWS Lambda@Edge, Amazon Route53, Amazon S3 Transfer Acceleration, AWS Shield e AWS Web Application Firewall (WAF). Mais recentemente, organizámos o primeiro AWS Initiate, onde mais de 900 pessoas participaram em várias conferências e sessões para explorar como a nuvem está a transformar organizações, indústrias e o mundo ao nosso redor, possibilitando inovações disruptivas.

PME Mag. – As empresas portuguesas ainda têm reservas em relação à cloud?

M. A. – Os clientes em Portugal estão realmente ansiosos para aprender mais e começar a aproveitar a cloud da AWS. A nossa decisão de abrir um escritório o ano passado e investir na Amazon CloudFront este ano refletem o interesse na nuvem expresso pelos clientes portugueses. A AWS possui milhões de clientes ativos em todo o mundo, dezenas de milhares de clientes na Península Ibérica e muitos deles em Portugal, de todos os segmentos de negócios imagináveis e de todos os tamanhos, desde startups como a Uniplaces, Outsytems e Talkdesk; pequenas e médias empresas e até grandes empresas como a Galp ou a Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Clientes portugueses em todos os setores estão a beneficiar da flexibilidade, escalabilidade e segurança da AWS.

PME Mag. – Quais as vantagens de uma empresa migrar o seu sistema para AWS Cloud?

M. A. – Há cinco razões pelas quais as empresas estão a migrar tão rapidamente para a nuvem da AWS. A primeira é a agilidade. A AWS permite que os clientes ativem rapidamente os recursos à medida que são necessários, disponibilizando centenas ou até milhares de servidores em minutos. Isso significa que os clientes podem desenvolver e implementar novas aplicações muito rapidamente e significa que as equipas podem fazer experiências e inovar com maior rapidez e frequência. Se uma experiência falhar, é sempre possível desaprovisionar esses recursos sem risco. A segunda razão é a poupança de custos. Se reparar na forma como as pessoas acabam por se mudar para a cloud, a conversa começa sempre pelos custos. A AWS permite que os clientes troquem despesas de capital por despesas variáveis e paguem apenas pelas TI à medida que as consomem. Além de que a despesa variável é muito menor do que o que os clientes podem fazer por si mesmos, devido às economias de escala da AWS. A Dow Jones, por exemplo, estimou que a migração dos seus data centers para a AWS contribuirá para uma economia global de 100 milhões de dólares em custos de infraestrutura. A terceira razão é a elasticidade. Os clientes costumavam provisionar em excesso para garantir que tinham capacidade suficiente para gerir picos de atividade nas operações de negócio. Agora, podem provisionar a quantidade de recursos que realmente precisam, sabendo que podem aumentar ou diminuir instantaneamente, de acordo com as necessidades do seu negócio, o que também reduz custos e melhora a capacidade do cliente em atender à procura dos seus utilizadores. A quarta razão é que a nuvem permite que os clientes inovem mais rapidamente porque podem concentrar os recursos de TI altamente valiosos no desenvolvimento de aplicações que diferenciam o seu negócio e transformam as experiências dos clientes, em vez do trabalho pesado indiferenciado de gerir a infraestrutura e data centers. O quinto motivo é que a AWS permite que clientes implementem globalmente em minutos. A AWS tem o conceito de Região, que é um local físico em todo o mundo onde agrupamos data centers. Chamamos a cada grupo de data centers lógicos de Availability Zone. Usando a AWS, os clientes podem aproveitar 69 Availability Zones em 22 regiões geográficas de todo o mundo. E não planeamos parar por aqui.

PME Mag. – Como está a correr a operação do novo POP em Portugal e que trabalho está a ser feito atualmente?

M. A. – Está a correr bem. Estamos entusiasmados por trazer aos nossos clientes em Portugal infraestrutura de tecnologia avançada e segura, depois de abrirmos nosso primeiro escritório da AWS em Lisboa no ano passado. A adição do ponto de presença do Amazon CloudFront Edge está a ajudar as organizações portuguesas a obter menor latência, ao mesmo tempo em que oferece os mesmos níveis de segurança esperados da AWS Cloud, resultando numa melhor experiência geral para os seus utilizadores finais. A experiência melhorada e mais rápida do utilizador com a infraestrutura local do Amazon CloudFront vai ajudar a impulsionar o uso de ainda mais aplicações web em Portugal, incluindo e-commerce, educação, entretenimento, jogos, saúde, media, serviços bancários móveis e serviços governamentais. Além disso, com a chegada da infraestrutura do Amazon CloudFront a Portugal, os clientes podem agora proteger as aplicações com o serviço de segurança de perímetro da AWS, o AWS Shield, que fornece deteção sempre ativa e a mitigação de DDOS, o que minimiza o tempo de inatividade das aplicações. Como outras tecnologias da AWS, o Amazon CloudFront é uma oferta self-service, e pay-per-use, que não requer compromissos de longo prazo ou taxas mínimas, e pode ser usada de forma independente ou em combinação com outros serviços da AWS, para fornecer benefícios adicionais aos clientes.

PME Mag. – Porquê Portugal nos planos da AWS?

M. A. – Como disse anteriormente, embora tenhamos aberto o escritório em Lisboa em setembro de 2018, os clientes portugueses já tinham sido dos primeiros a adotar os serviços da AWS para impulsionar a inovação. A decisão de investir num escritório foi devido ao feedback dos nossos clientes, para que pudéssemos apoiá-los no crescimento da cloud. Essa é a principal razão pela qual a AWS criou várias equipas locais portuguesas, incluindo gestores de contas, arquitetos de soluções, gestores de parceiros, consultores de serviços profissionais, equipa de suporte e outras funções que ajudam as organizações a acelerar as iniciativas de transformação digital e inovar para os consumidores e cidadãos do país. A AWS está comprometida em continuar a investir em Portugal no futuro.

PME Mag. – Com que empresas estão atualmente a trabalhar?

M. A. – Nos últimos anos, a AWS viu uma rápida adoção do uso da nuvem entre empresas portuguesas. A AWS conta com algumas das empresas mais conhecidas e de crescimento mais rápido de Portugal, tal como a Galp, Feedzai, Globalvia, Grupo Impresa, Jumia, Lusiaves, Miniclip, Prodsmart, OutSystems, Unbabel e Uniplaces, além de organizações do setor público, como a Câmara Municipal do Porto. Entre os clientes que em Portugal já usam o Amazon CloudFront incluem-se o Grupo Impresa, Global Media, Miniclip, Rádio e Televisão de Portugal (RTP), Uniplaces e Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Artigo originalmente publicado no Sapo Prime