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Europa cria Mês da Diversidade (Foto: Unsplash)

Europa cria o Mês da Diversidade

Após a Declaração de Roma, assinada em 2014, a Comissão Europeia e, na altura, a presidência Italiana do Conselho da União Europeia, delinearam a Estratégia Europeia 2020, tendo em vista a prática e o aumento da diversidade dentro das organizações. Foi na passada segunda-feira, dia 3 de maio, que a Europa abraçou o novo projeto da Comissão Europeia: o Mês da Diversidade Europeia 2021.

Após anos a colmatar a falta de diversidade e a chamar atenção para a falta de representatividade e inclusão nas empresas do Velho Continente, a Comissão Europeia decidiu que estava na altura de se fazerem ouvir as minorias e os problemas que estas enfrentam. Neste sentido, e após sete anos desde o debate acerca da diversidade na Europa, criou-se a iniciativa “Mês da Diversidade Europeia 2021”.

A sessão solene de abertura decorreu na passada segunda-feira, dia 3, e contou com a presença de figuras de Estado e representantes da Comissão Europeia, presidentes ou CEO de empresas conhecidas mundialmente.

O debate conduzido pela jornalista da Euronews, Susan Dabbous, teve em vista debater sobre as políticas propostas pela Comissão Europeia para combater a discriminação e promover a diversidade e inclusão dentro das organizações. Da mesma forma, o foco era compreender o que é que algumas empresas têm feito, de modo a combater as cultural bias.

Helena Dalli, a comissária da Comissão Europeia para a Igualdade, abriu a sessão reforçando a ideia que a Europa e, por consequência, as empresas, só têm a ganhar se apostarem na diversidade e inclusão. “A diversidade é a nossa força, é um dos nossos maiores recursos para podermos construir um futuro sustentável para nós, cidadãos europeus”.

A comissária enalteceu o facto de que apesar de existirem leis que impõe e promovem a diversidade dentro das organizações, a verdade é que “a diversidade nos nossos locais de trabalho ainda permanece desigual, especialmente no que respeita aos processos de tomada de decisões”.

Sobre isto, Helena Dalli não tem dúvidas. As decisões devem ser tomadas pelo maior número de pessoas que representem a diversidade existente nas instituições para poder servir os interesses das empresas, pois não só as empresas poderão melhorar os seus produtos, como também poderão chegar a outros segmentos dos mercados.

O Mês da Diversidade tem como finalidade alertar para a realidade social vivida no setor empresarial. É por querer atuar nesse sentido que a representante da Comissão pede cautela, pois nem “todas as pessoas têm o mesmo acesso ao mercado de trabalho. Muito menos a cargos de chefias”, sendo que este problema é mais preocupante nas comunidades raciais e nas mulheres.

Dalli garante que “em resposta a esta realidade, este ano, no Mês da Diversidade Europeia, estamos a promover as etnias raciais e a aplicar estratégias de diversidade na Europa”.

Também para a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, este é um problema que tem que ter resposta o mais cedo possível. A falta de representatividade dentro das organizações passa a mensagem errada. É preciso agir para se combater a exclusão social.

Em Portugal, no ano passado, houve um aumento de 50% de denúncias no que concerne à discriminação racial.  Ainda assim, a secretária assegura que “a presidência portuguesa da União Europeia está fortemente empenhada em cumprir o plano da Cimeira Europeia Antirracismo”.

Para Gertrud Ingestad, a diretora-geral para os Recursos Humanos e Segurança da Comissão Europeia, a multiculturalidade é uma das características que define a Europa. No entanto, ainda há um longo caminho pela frente, sobretudo no que respeita a aceitar minorias nos locais de trabalho.

Afirma que é fundamental que as instituições criem grupos para debater tópicos como discriminação social, e para isso há que incentivar as próprias empresas e fomentar a práticas deste tipo de atividades.

Jonas Gustavsson, CEO e presidente da empresa AFRY, na Suécia, é o exemplo do que a Europa pretende atingir. A empresa conta com o apoio de trabalhadores inseridos num programa de ajuda a refugiados e, desta forma, para além de os ajudar a integrar o mercado de trabalho, ajudam também na integração no próprio país, através da formação.

Para a vice-presidente da EMEA da Netflix, Madeleine de Cock Buning, a diversidade e a inclusão são os motores da empresa. A vice-presidente confirma que tem acordos de diversidade, desde 2013, que promovem a equidade, e que isso se espelha através do leque de conteúdos apresentados pela plataforma de streaming.

Adicionalmente, a empresa pretende investir nos próximos cinco anos uma quantia na ordem dos 100 milhões de dólares para garantir a diversidade dos seus conteúdos.

Durante a sessão de abertura, outras empresas deram voz ao tema da diversidade e inclusão dentro da sua organização, concluindo que o mais importante é falar sobre estes temas para se conseguir perceber como e onde agir.

Géraldine Dufort, a consultora principal da Diversidade e Inclusão da Comissão Europeia, foi quem fechou a sessão, mas antes quis sublinhar a necessidade que as empresas devem ter em contratar pessoas de diferentes origens porque são elas que representam a diversidade europeia. Concluiu que é importante que todas as pessoas – sociedade e organizações – entrem nesta discussão, pois só assim se pode promover a diversidade e a inclusão social.