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Artur Salada Ferreira, administrador do Lisboa Biz (Foto: Inês Antunes)

Vicente Jorge Silva, português não rasca

Por: Artur Salada Ferreira, administrador do Lisboa Biz

Com a pandemia no seu “melhor”, perseguindo todo o planeta, é compreensível que os autores de textos publiquem, em qualquer que seja o veículo, conteúdos sobre este tema (opinion makers).

Mas não é um vírus, por mais poderoso que seja, que pode fazer perder a atenção para outros temas, igualmente importantes e sobretudo enaltecer as pessoas que contribuíram ao longo da vida para entregar um país melhor à geração seguinte, seja em qual for a área de atividade a que se dedicaram.

Dedico, assim, a minha crónica a um português que partiu recentemente, tendo deixado um Portugal melhor do que encontrou. Por esse motivo, Vicente Jorge Silva é o eleito para esta crónica.

Felizmente, estão ainda entre nós outros agentes da comunicação social de mérito idêntico.

Vicente nasceu no Funchal, de onde lhe vinha o sotaque que o acompanhou ao longo da vida e lhe conferia uma voz inconfundível.

Para além de ter gosto pelo cinema e pela participação nas discussões políticas, é na comunicação social que se destaca o “valor acrescentado” pelo trabalho realizado.

Destacamos a criação do “caderno do Expresso, cuja execução dirigiu, tendo ajudado a valorizar um jornal que contribuiu para que acontecesse o 25 de Abril.

O Expresso, que nasceu em 1973, teve colaboradores como, Francisco Sá

Carneiro, Francisco Balsemão, Marcelo Rebelo de Sousa, etc…

A participação na criação do jornal Público e, sendo o seu primeiro diretor, fez elevar o nível dos órgãos de comunicação social.

Aqui gostaria de referir a importância de Belmiro de Azevedo, que aceitou investir “muitos” milhões neste órgão de comunicação social que rapidamente se tornou uma referência no país.

Belmiro de Azevedo era um empresário de grande visão e o seu investimento no jornal que perdia dinheiro, mas que mantinha a qualidade, é a prova disso.

Politicamente, não se conhece a Vicente nenhuma filiação partidária, mas intervinha em discussões sobre temas políticos.

Era ministra da educação Manuela Ferreira Leite quando se verificaram diversas manifestações de estudantes incluindo cenas impróprias, Vicente Jorge Silva afirmou tratar-se de uma juventude “rasca”.

O movimento estudantil foi particularmente ativo nos governos de Cavaco Silva.

Para muitos docentes e alunos, foi um alerta o prestigiado jornal Público ter chamado à atenção para os problemas sentidos na educação.

As famílias passaram a ter uma referência credível e politicamente independente.

Um diretor dedicar um editorial a este tema tornou-o conhecido e sentido por pais e docentes.

A juventude “rasca” é hoje respeitada pelo mundo fora em todas as áreas do conhecimento e o Vicente terá contribuído com este editorial para que isso acontecesse.